Tricolor sai atrás, reage com autoridade e vence o Nova Iguaçu por 6 a 1 no Maracanã, em amistoso de intertemporada.
O Fluminense goleou o Nova Iguaçu por 6 a 1, nesta quarta-feira, no Maracanã, em amistoso de preparação para a sequência da temporada. Mesmo saindo atrás no placar, o time de Luis Zubeldía respondeu com volume, qualidade técnica e boas atuações individuais, especialmente de Martinelli, John Kennedy e Germán Cano.
Foi uma partida movimentada, com muitos testes, mudanças e sinais importantes para o treinador. Hulk e Lucho Acosta ainda estão em processo de encaixe, mas já deixaram claro que podem formar uma dupla capaz de dar muito trabalho às defesas adversárias. Força, criatividade, presença entre linhas e capacidade de decidir não faltam.
O placar da partida
Fluminense 6 x 1 Nova Iguaçu
Local: Maracanã
Competição: amistoso de intertemporada
Gols do Fluminense
- Savarino — 2 gols
- Germán Cano — 1 gol
- John Kennedy — 1 gol
- Martinelli — 1 gol
- Hércules — 1 gol
Gol do Nova Iguaçu
- Daniel Zavoli
Martinelli joga como veterano refinado
Se tem um jogador que sai cada vez maior dessa intertemporada, é Martinelli. O volante fez mais uma grande partida, daquelas que reforçam uma impressão crescente: ele está ficando cada vez mais refinado com o passar do tempo.
Martinelli parece vinho. Quanto mais amadurece, melhor fica.
Contra o Nova Iguaçu, foi seguro na construção, inteligente na ocupação dos espaços e ainda apareceu no ataque para marcar um belo gol. A frieza na definição mostrou um jogador confiante, consciente do próprio momento e cada vez mais completo.
Na nossa avaliação, Martinelli hoje é muito mais do que um volante de equilíbrio. Ele virou um organizador silencioso, daqueles que fazem o time jogar melhor sem precisar aparecer em todos os lances de efeito.
John Kennedy mostra leveza e frieza
Outro ponto muito positivo foi John Kennedy. O atacante apresentou uma movimentação mais leve, com arrancadas, aproximações e presença constante no último terço do campo. Visualmente, parece um jogador mais solto, mais confiante e com melhor resposta física.
O gol coroou a atuação. John Kennedy mostrou frieza dentro da área, dominou bem, girou e finalizou com qualidade. Foi uma jogada de atacante que sabe o que fazer quando a bola chega em condição de definição.
Mais do que o gol, chamou atenção a postura. Ele se movimentou melhor, participou mais e deu sinais claros de que pode voltar a ser uma peça importante no elenco.
Cano volta a marcar com cara de Cano
E Germán Cano? Ainda é cedo para cravar que voltou a ser aquele artilheiro imparável de 2023, mas a confiança parece estar de volta.
O gol teve assinatura conhecida: posicionamento, leitura rápida e finalização de primeira, com qualidade. Foi um lance que lembrou o Cano dos grandes momentos, aquele que precisava de pouco espaço para transformar uma bola aparentemente simples em gol.
Para centroavante, confiança pesa muito. E Cano voltou a sorrir com a rede. Em amistoso ou jogo oficial, gol para artilheiro sempre tem valor.
Hulk e Lucho dão sinais promissores
A estreia de Hulk diante da torcida não teve gol, mas teve presença. O atacante mostrou força, proteção de bola e capacidade de atrair marcação. Mesmo ainda buscando o melhor entrosamento com os companheiros, já dá para perceber o quanto sua simples presença muda a preocupação defensiva do adversário.
Ao lado dele, Lucho Acosta também deixou bons sinais. O argentino tem qualidade para receber entre linhas, acelerar jogadas e encontrar passes por dentro. A tendência é que, com mais ritmo e sequência, a dupla ganhe conexão.
Hulk e Lucho têm características diferentes, mas complementares. Um oferece potência, finalização e imposição física. O outro entrega leveza, visão e criatividade. Se o encaixe vier, o Fluminense ganha muito repertório ofensivo.
Garotos entram com vontade; Riquelme Felipe aproveita bem
As mudanças feitas por Zubeldía deram minutos importantes aos garotos, e a resposta foi boa. O Fluminense manteve intensidade, seguiu pressionando e mostrou fome mesmo com o placar já encaminhado.
Entre os jovens, Riquelme Felipe chamou atenção. Entrou com muita vontade, participou bem das ações ofensivas e teve participação direta em gol, mostrando personalidade para aproveitar a oportunidade.
Esse tipo de amistoso também serve para isso: medir quem entra ligado, quem entende o momento e quem consegue transformar poucos minutos em argumento para ganhar mais espaço.
Bola aérea segue como alerta
Apesar da goleada, nem tudo foi positivo. O Fluminense voltou a sofrer com a bola aérea defensiva, especialmente com a zaga considerada principal. É um problema que Zubeldía precisa observar com cuidado.
A dupla Jemmes e Freytes teve dificuldades nesse tipo de jogada, e o gol sofrido reacende um alerta que já incomoda o torcedor. Em jogos oficiais, contra adversários mais fortes, esse detalhe pode custar caro.
Por outro lado, Millán e Léo Rabello passaram boa impressão nos duelos pelo alto. Não foram tão exigidos defensivamente, mas mostraram força aérea e presença nas jogadas ofensivas. Millán, inclusive, ganhou lance pelo alto no ataque e quase marcou.
É uma diferença que chama atenção: enquanto a zaga titular sofre em bolas levantadas na área, os defensores que entraram demonstraram mais imposição nesse fundamento.
O que fica da goleada
O resultado foi ótimo, mas o mais importante foi o conjunto de sinais. O Fluminense mostrou poder de reação, repertório ofensivo e boas respostas individuais. Martinelli foi novamente um dos melhores em campo. John Kennedy parece mais leve. Cano reencontrou o gol. Hulk e Lucho dão esperança de um ataque mais forte e imprevisível.
O ponto de atenção fica para a defesa, especialmente nas bolas aéreas. Zubeldía tem material para trabalhar e uma mensagem clara: o time cria, agride e tem talento, mas precisa corrigir falhas que podem pesar em jogos grandes.
O amistoso deixa o torcedor animado, mas também atento. E talvez esse seja o melhor cenário em uma intertemporada: motivos para acreditar, sem perder de vista o que precisa melhorar.



