Tricolor enfrenta o Independiente Rivadavia nesta terça-feira, em Mendoza, por uma vaga nas quartas de final
Depois de ressurgir das cinzas diante do Palmeiras e conquistar uma vitória com a cara do Fluminense, o Tricolor volta suas atenções para o jogo mais importante da temporada até aqui. Nesta terça-feira, às 19h, no Estádio Malvinas Argentinas, em Mendoza, o time enfrenta o Independiente Rivadavia pelo duelo de volta das oitavas de final da Conmebol Libertadores.
A partida de ida, disputada no Maracanã, terminou empatada em 0 a 0. Com isso, qualquer vitória classifica o Fluminense para as quartas de final. Um novo empate leva a decisão para os pênaltis, conforme informou o clube.
A confiança que nasce da superação
Na minha avaliação, a vitória sobre o Palmeiras chegou em um momento fundamental. Mais do que os três pontos, o Fluminense recuperou algo que parecia ameaçado: a confiança. O time jogou melhor, saiu atrás do placar duas vezes e, mesmo assim, encontrou forças para reagir.
Foi uma vitória “à la Fluminense”: sofrimento, pressão, emoção e uma resposta no momento em que muitos já começavam a duvidar. O gol de Germán Cano, um velho conhecido da torcida, simbolizou essa retomada. O argentino apareceu novamente quando o time mais precisava, mostrando que ainda pode ser decisivo em noites grandes.
Mas a euforia precisa dar lugar à concentração. A Libertadores não perdoa desatenções, e o Rivadavia já provou que sabe competir contra o Fluminense. Na fase de grupos, os argentinos venceram o Tricolor no Maracanã e também arrancaram um empate em Mendoza, resultados que impedem qualquer excesso de confiança.
Um jogo que exigirá maturidade
O Fluminense terá de entender que não precisa vencer a partida nos primeiros minutos. Jogando fora de casa, o time deve controlar a ansiedade, circular a bola com qualidade e evitar erros na saída de jogo. O Rivadavia tende a apostar em marcação forte e transições rápidas, especialmente com seus jogadores de ataque.
Na minha opinião, o principal desafio será equilibrar imposição e segurança. O Fluminense tem capacidade técnica para controlar o confronto, mas precisa transformar essa superioridade em chances claras de gol. Ter mais posse de bola, por si só, não será suficiente.
A equipe também precisará manter a intensidade apresentada contra o Palmeiras. A reação no Campeonato Brasileiro mostrou um time mais agressivo, competitivo e disposto a lutar por cada bola. Essa postura será indispensável em um estádio que promete um ambiente hostil e diante de um adversário que não demonstrou respeito ao Tricolor nos encontros anteriores.
Cano pode ser novamente decisivo
Germán Cano chega ao confronto fortalecido pelo gol marcado contra o Palmeiras. O atacante vive de momentos como esse: posicionamento, experiência e capacidade de aparecer na área quando a oportunidade surge.
Não se trata de depositar toda a responsabilidade no argentino, mas é inegável que sua presença muda o comportamento do Fluminense no ataque. Cano oferece referência, ocupa os zagueiros e pode decidir mesmo quando participa pouco da construção das jogadas.
Ao redor dele, o time precisará ser mais eficiente. A criação deve encontrar espaços entre as linhas argentinas, enquanto os jogadores de lado terão a missão de acelerar o jogo e atacar a defesa adversária com objetividade.
A esperança voltou, mas a classificação ainda precisa ser conquistada
A vitória sobre o Palmeiras reacendeu a esperança do torcedor. O Fluminense mostrou que ainda tem força para reagir e competir em alto nível. Porém, a Libertadores exige uma nova demonstração de maturidade.
O Tricolor chega a Mendoza com a confiança renovada, mas também consciente de que o confronto está completamente aberto. Na minha visão, se repetir a entrega apresentada contra o Palmeiras e corrigir os problemas de concentração, o Fluminense tem condições de voltar da Argentina classificado.
Será outra noite de sofrimento, provavelmente. Mas, para quem conhece a história recente do clube, talvez seja justamente nesse cenário que o Fluminense encontre sua melhor versão.




