Diretoria demorou para agir, mas troca de comando pode representar a virada que o Tricolor precisa
O Fluminense viveu uma semana de fortes turbulências, com a eliminação para o Vasco na Copa do Brasil, o empate sem gols com o Independiente Rivadavia no jogo de ida das oitavas de final da Libertadores e a demissão do técnico Luis Zubeldía. Anunciada oficialmente pelo próprio clube nesta quinta-feira (13), a mudança de comando chega depois de uma sequência negativa e reacende, entre os torcedores, a esperança de reação na competição continental.
Eliminação para o Vasco expôs os problemas do time
A queda na Copa do Brasil aconteceu diante do Vasco, no Maracanã. Depois do empate por 0 a 0 no primeiro confronto, o Fluminense perdeu por 3 a 1 na partida de volta e acabou eliminado nas oitavas de final.
Brenner marcou duas vezes para o Vasco, enquanto Puma Rodríguez também balançou as redes. Martinelli descontou para o Tricolor, que teve uma atuação abaixo do esperado e pouco conseguiu fazer diante da pressão do rival.
Mais do que a eliminação em si, o desempenho apresentado no clássico aumentou a preocupação com o futuro da equipe. O Fluminense mostrou dificuldades para sair jogando, sofreu com a intensidade vascaína e não encontrou soluções ofensivas durante boa parte da partida.
Na avaliação do FluHub, a eliminação foi um dos sinais mais claros de que o trabalho de Zubeldía havia perdido força. O time já vinha apresentando queda de rendimento, pouca evolução coletiva e dificuldades para competir em jogos decisivos.
Empate na Libertadores aumentou a pressão
Poucos dias depois da queda na Copa do Brasil, o Fluminense estreou no mata-mata da Libertadores contra o Independiente Rivadavia. Jogando no Maracanã, o Tricolor ficou no empate por 0 a 0 e deixou a classificação para ser decidida na Argentina.
O resultado foi ainda mais preocupante pelo desempenho da equipe. O Rivadavia conseguiu criar as oportunidades mais perigosas e obrigou Fábio a fazer defesas importantes. O Fluminense, por outro lado, teve dificuldades para controlar a partida e produzir jogadas de ataque.
A torcida demonstrou insatisfação durante e depois do jogo. O time deixou o gramado sob vaias, enquanto Zubeldía e integrantes da diretoria foram alvos de cobranças.
Com o empate, o Fluminense precisará vencer na Argentina para avançar diretamente às quartas de final. Um novo empate levará a decisão para os pênaltis.
Diretoria demorou para demitir Zubeldía
O Fluminense anunciou oficialmente a saída de Luis Zubeldía nesta quinta-feira. Também deixam o clube os auxiliares Maxi Cuberas, Carlos Gruezo e Alejandro Escobar, além do preparador físico Lucas Vivas. O auxiliar permanente Marcão comandará a equipe interinamente.
A decisão foi comunicada pelo próprio Fluminense, que agradeceu aos profissionais pelo trabalho e desejou sucesso na sequência de suas carreiras.
Apesar de a demissão ter ocorrido após o empate com o Independiente Rivadavia, a avaliação é de que a diretoria demorou para agir. Na nossa visão, a mudança deveria ter acontecido durante a pausa provocada pela Copa do Mundo.
A parada oferecia tempo para o clube reorganizar o futebol, escolher um novo treinador e iniciar um trabalho antes da retomada dos jogos decisivos. Ao manter Zubeldía, o Fluminense atravessou a sequência mais importante da temporada com um time sem confiança, sem padrão claro e pressionado pelos resultados.
A eliminação para o Vasco e o empate no Maracanã acabaram apenas confirmando uma crise que já vinha se desenhando. A diretoria poderia ter evitado que a situação chegasse a um ponto tão delicado justamente às vésperas de uma decisão internacional.
Investimentos caros também precisam ser questionados
A crise não deve ser colocada exclusivamente na conta do treinador. As decisões da diretoria na montagem do elenco também merecem uma análise mais profunda.
A contratação de Hulk, aos 40 anos, representa um investimento elevado para o clube. O atacante teria salário superior a R$ 2 milhões mensais, valor que exige retorno esportivo imediato e desempenho compatível com o tamanho do compromisso financeiro.
Hulk é um jogador de carreira respeitável e com capacidade técnica reconhecida, mas a idade e o alto custo tornam a contratação uma aposta de risco. O Fluminense precisa avaliar se está direcionando seus recursos da melhor maneira, principalmente diante de um elenco que ainda apresenta carências em setores importantes.
Ao mesmo tempo, Memphis Depay está livre no mercado. O atacante holandês, que possui enorme impacto técnico e midiático, aparece como uma alternativa disponível diante de um cenário em que nomes de peso podem ser contratados. Um eventual salário na casa de R$ 1,8 milhão mensais, embora também seja alto, levantaria a discussão sobre custo-benefício e planejamento.
A comparação não significa que Depay necessariamente seria a solução ou que a contratação de Hulk esteja automaticamente errada. O ponto principal é outro: o Fluminense precisa justificar seus investimentos com planejamento, idade, condição física, encaixe tático e possibilidade de retorno dentro de campo.
Contratar jogadores caros sem construir uma equipe equilibrada aumenta a pressão sobre o treinador e deixa o clube dependente de atuações individuais. Foi justamente isso que faltou ao Fluminense nos jogos recentes: um time organizado, competitivo e capaz de responder nos momentos decisivos.
A demissão pode trazer esperança na Libertadores
Mesmo tardia, a saída de Zubeldía pode representar uma oportunidade de mudança. A troca de treinador não resolve todos os problemas do Fluminense, mas pode devolver confiança ao elenco e modificar o ambiente antes do jogo decisivo contra o Rivadavia.
O time precisa recuperar intensidade, organização defensiva e capacidade de criação. Também será fundamental que os jogadores mais experientes assumam responsabilidade, especialmente em uma partida fora de casa e com a obrigação de vencer.
Marcão terá a missão de conduzir o Fluminense inicialmente, enquanto a diretoria busca um novo comandante. A escolha precisa ser feita com critério, sem repetir decisões apressadas ou baseadas apenas no nome do treinador.
A esperança na Libertadores existe porque o confronto ainda está aberto. O empate no Maracanã foi frustrante, mas não eliminou o Tricolor. Uma vitória na Argentina pode transformar completamente o ambiente e iniciar uma reação na temporada.
Fluminense precisa aproveitar a segunda chance
O Fluminense perdeu uma oportunidade na Copa do Brasil e começou mal o mata-mata da Libertadores. Agora, com a saída de Zubeldía, o clube recebe uma espécie de segunda chance para reorganizar o futebol.
A mudança deveria ter acontecido antes, mas ainda pode produzir efeitos positivos. Para isso, a diretoria precisará agir com responsabilidade, o elenco deverá apresentar uma postura diferente e o próximo treinador terá de encontrar rapidamente um modelo de jogo competitivo.
A Libertadores continua viva. E, para o torcedor tricolor, a demissão de Zubeldía traz justamente a esperança de que o time volte a competir antes que seja tarde demais.




