Escolhas de Ancelotti entram em debate após derrota por 2 a 1 nas oitavas da Copa do Mundo; ex-Fluminense ficou fora da solução pelo setor que mais pedia profundidade.
Por Gustavo Santoro — FluHub
O Brasil foi eliminado da Copa do Mundo de 2026 neste domingo (5), ao perder por 2 a 1 para a Noruega, no MetLife Stadium, em Nova Jersey, pelas oitavas de final. A queda da Seleção comandada por Carlo Ancelotti abriu uma discussão imediata sobre as escolhas do técnico — especialmente pela decisão de não utilizar Luiz Henrique como opção pelo lado direito do ataque.
O plano que não encontrou largura
A Seleção teve dificuldades para controlar o jogo, sobretudo no segundo tempo. Segundo dados citados pela CNN Brasil, a Noruega terminou a partida com 66% de posse de bola, contra 34% do Brasil, um retrato claro de uma equipe brasileira mais reativa do que protagonista.
Ancelotti justificou a estratégia após a partida afirmando que pressionar alto era arriscado diante da movimentação norueguesa e da velocidade de Haaland no mano a mano. Ainda assim, a sensação que ficou foi de que o Brasil precisava de mais escape, profundidade e agressividade pelos lados — justamente características que Luiz Henrique poderia oferecer aberto pela direita.
Luiz Henrique era uma alternativa natural
Para o torcedor tricolor, a ausência de Luiz Henrique nesse contexto chama ainda mais atenção. Revelado pelo Fluminense, o atacante construiu sua trajetória com virtudes claras: aceleração, enfrentamento individual, recomposição e capacidade de quebrar linhas carregando a bola.
Na nossa avaliação, o ponto central não é tratar Luiz Henrique como solução mágica para todos os problemas da Seleção. A eliminação não se resume a uma escolha individual. Mas, em um jogo em que o Brasil teve dificuldade para sair da pressão, avançar pelos corredores e incomodar a defesa norueguesa com amplitude, deixar uma peça desse perfil sem uso pelo setor direito foi uma decisão difícil de entender.
O losango tirou espaço de um ponta de origem
A mudança de desenho tático também ajuda a explicar o cenário. Como já havia sido apontado por veículos como Bolavip, com base em informações do UOL Esporte, Ancelotti vinha trabalhando um modelo em 4-4-2 com losango, reduzindo o espaço para pontas mais abertos.
Nesse sistema, o jogador do lado direito precisava cumprir uma função híbrida: pressionar, recompor por dentro, atacar a área e participar mais centralizado. Luiz Henrique, acostumado a render melhor com campo para arrancar pela faixa lateral, acabou perdendo espaço dentro dessa lógica.
O problema é que, diante da Noruega, o jogo parecia pedir justamente uma quebra dessa lógica. Quando o Brasil precisava mudar o ritmo, abrir o campo e atacar o lado direito com mais força, a comissão manteve outra leitura.
Pênalti perdido e escolhas sob pressão
A partida também teve um momento decisivo ainda no primeiro tempo: Bruno Guimarães desperdiçou um pênalti, defendido pelo goleiro Nyland. Após o jogo, segundo Estadão e O Globo, Ancelotti explicou que a escolha do cobrador seguiu critérios estatísticos definidos pela comissão técnica.
A justificativa pode fazer sentido internamente, mas, em uma eliminação de Copa, cada decisão ganha peso público. A escolha do batedor, as substituições e a pouca utilização de alternativas de velocidade viraram parte inevitável da análise.
Uma eliminação que deixa perguntas
A Noruega venceu, avançou às quartas de final e encerrou o sonho brasileiro do hexa. Para o Brasil, fica uma queda dolorosa e uma série de questionamentos sobre o caminho escolhido por Ancelotti.
Entre eles, um incomoda especialmente quem conhece bem Luiz Henrique: por que não tentar o ex-Fluminense aberto pela direita quando o jogo pedia profundidade, coragem no um contra um e uma rota diferente para atacar?
A resposta talvez esteja no modelo tático. Mas a eliminação mostrou que, em Copa do Mundo, insistir demais em uma ideia também pode custar caro.



